Look, there´s a billboard in the moon!

Recentemente, percebi que as coisas que eu faço repentinamente perdem o sentido. É meio estranho e, honestamente, acho que essa página em específico pode ser um desses casos. Mas quem liga?

Eu também não sei por onde devia começar isso. Talvez em filmes? Sei lá, não tenho nenhuma boa introdução pra colocar aqui. Acho que quero ter um espaço meu, para falar sobre o que gosto e isso inclui a tv também. Mas, ao mesmo tempo, fico em dúvida se isso não é bobo demais ou se simplesmente não deveria fazer porque ninguém liga. Essa fase da vida envolve muitas inseguranças idiotas e talvez eu também não devesse falar sobre isso em um site, mas vamos lá, quem realmente se importa? Isso é só um site amador feito por uma idiota que não tem nada pra fazer (e idiota se aplica no sentido de "boba" aqui), acho que as pessoas meio que devem esperar isso. Mesmo assim, eu ainda penso se isso tem sentido. Isso é meio estranho e difícil, mas se você veio até aqui deve ter um motivo, né?

Acho que um evento canônico na vida de pré adolescentes e quaisquer pessoas com empolgação por lore é querer entender o que tá rolando em uma série e não conseguir fazer isso porque as desgraças dos canais dificilmente passavam os episódios em ordem, então você acabava indo parar em um ponto completamente aleatório da história, sem entender nada e com raiva.

Beleza, talvez eu tenha sido muito específica, mas eu passei por isso várias vezes, principalmente com séries da Cartoon Network. Elas começavam despretenciosas e aos poucos iam assumindo uma lore, uma história por trás. Eu gostava desses elementos, quando um ponto da história virava linear, apesar de eu NUNCA conseguir acompanhar em tempo real. Enfim, uma das primeiras (provavelmente foi a primeira) série com que eu tive isso foi O Incrível Mundo de Gumball. Tipo, era minha série de infência favorita, eu decorava falas, músicas, sabia um monte de coisa. Aí peguei uns episódios do final da 3ª e umas partes da 4ª temporada e notei que o bagulho tava ficando sinistro, sabe? Tava nascendo algo importante ali, uma história que ia precisar de ordem ou não ia funcionar. Enfim, eu só consegui ver tudo de verdade em 2021/2022, mais ou menos. Ainda tive que passar raiva com aquele final aberto e hoje eu sequer tenho tempo de ver os horários da CN ou pegar um pirata pra assistir. É meio louco isso. Passei anos obcecada em um desenho e quando ele finalmente lança uma continuação, eu não acompanho nada porque minha rotina é praticamente contada e eu tenho outras prioridades hoje no meu tempo livre, o site é uma delas. Isso é bem doido.

Em um grande resumo, mais ou menos na 2ª ou 3ª temporada, o desenho apresenta um conceito de void/vácuo. Isto é, tudo que deu errado ou acabou caindo no esquecimento vai parar em um lugar, uma fenda no universo onde tudo é estático. Gumball e Darwin vão parar lá junto com o Senhor Pequeno pra buscar uma colega deles, a Molly (e ela realmente tava sumida há MUITO tempo), e nessa ida a gente descobre o Rob, como se já não bastasse a importância do próprio void. O Rob aparentemente já existiu em algum momento, mas foi jogado no void (talvez antes mesmo da série começar) e ele já conhacia o Gumball e o Darwin, tanto que ele pede ajuda e é ignorado. Em resumo, eles salvam a Molly, mas depois ela desaparece de novo e ninguém toca mais no nome dela, e o Rob foge do void nesse meio tempo. A partir daí ele começa a interagir um pouquinho mais e vai virando o vilão do negócio, mas como a gente tá falando de Gumball e Darwin, ninguém dá a mínima pra ele durante um longo período. Depois, já pro final da terceira, a gente descobre que a mãe do João Banana faz quadros que revelam o futuro e um desses quadro é a família do Gumball no void, com Elmore toda desfragmentada pelo céu. Na quarta temporada, o Rob sequestra a Bárbara Banana e aí a gente entende que o quadro não revela o futuro, mas sim molda (isso porque toda a alteração que ela faz neles se materializa), o que torna a situção do outro quadro pior ainda. E, pra tentar simplificar, o Rob é jogado no void de novo, mas volta sabendo de alguma coisa. No último episódio da sexta temporada, ele se disfarça de inspetor e começa a transformar TODOS os alunos da escola de Elmore em humanos, mas logo é descoberto. Ele se desespera, diz que tem como explicar, mas a Tina espanca ele brutalmente e aí tem um corte, mostrando que já virou noite e a escola tá vazia. O Rob acorda nervoso pra caramba e um buraco do void se abre no chão e engole ele (ficando igual a um quadro que a Bárbara Banana desenhou quando foi sequestrada), e aí acaba a série. Sim, eu sei, é um final bizarro. Creio que a continuação ainda não deu um contexto real pra isso, posso estar enganada. Mas, para além desse conceito de linearidade, o desenho trazia bastante crítica maneira pra se ver até hoje (como o menino que começou a detestar a Anaís, irmãzinha do Gumball, porque ela o "rejeitou"), acho que era uma série gostosa de assistir e apesar do tom cômico, conseguia falar com naturalidade sobre assuntos realmente sérios, em suas próprias perspectivas e medidas.

E, honestamente, não lembro de ter vivido tanto uma série quanto vivi esse desenho, talvez um anime ou outro, mas apenas uma série, não. Já que eu falei de anime, por que não citar One Piece? One Piece deve ser meu anime favorito, talvez competindo com HunterxHunter, mas falarei sobre o segundo depois. Até ganhei um ovo de páscoa de OP, da Cacau Show, que vinha com um chaveirinho de pelúcia muito divo do Luffy. Enfim, eu tenho alguns sentimentos meio mistos sobre o anime (e eu nuca cito o mangá por nunca ter lido, infelizmente), principalmente quando falam do Live Action, aiai, o Live Action...

Eu sempre tive um preconceito com OP, não lembro o motivo. Acho que na minha cabecinha pré adolescente soava besta (eu era e ainda sou besta), mas comecei a olhar em uma tarde/noite qualquer, só de teimosia, e parei na metade do episódio 11. A partir daí, tive longos períodos de vício (principalmente na pandemia) e longos hiatos também. Tenho que voltar a assistir, falando nisso. Enfim, pra começar a falar do lado cinzento, eu preciso falar do meu começo em One Piece, de como parecia idiota e se tornou algo "profundo". Eu tenho que ser sincera em dizer que nesses primeiros episódios o que me atraía era um pouco do cômico e do background ali, mas posteriormente você começa a conhecer o ciclo de repetição: o grupo se separa, descobrem coisas horríveis, se reúnem e lutam. A parte mais interessante aqui são as coisas horríveis porque todas elas envolvem paralelos com a realidade, coisas que você pode ver no cotidiano ou no jornal. Quando você é criança (assim como eu comecei a assistir com 11 anos, ainda meio alheia à algumas coisas da realidade), não se liga tanto nesse tipo de paralelo; mas quando você cresce assistindo, começa a sentir e visualizar melhor o estilo de narrativa. Um exemplo prático meu é a minha relação com os Homens-Peixe, já que odiava o Arlong durante o arco da Nami (que eu vi com 11 anos) e deixei esse ódio de lado quando vi o arco da Ilha dos Homens-Peixe, com 14/15. Um pouco mais velha, fazia mais sentido pra mim - não era justificável, mas era mais compreensível porque eles foram criados pensando em serem fortes e tiveram que ver coisas tristes cedo, foram crinças cuja realidade não os permitiu ser como as outras crianças e eu entendo uma boa parte disso. Eu acho que esse é um ponto super positivo na obra, os paralelos, mas é algo loucamente enaltecido sem motivo nenhum. Não é porque o autor/mangaká sabe olhar o jornal e referenciar o que vê que isso o torna um gênio, ele apenas tem senso e sabe que isso funciona, pessoas precisam de identificação para se manter. OP tem muitos erros, muitos detalhes esquecidos, mas isso não torna ruim. Da mesma forma que a falsa profundidade não torna incrível, torna uma obra estratégica. Acho que proclamar One Piece como algo "profundo" é burrice porque é uma estratégia básica acentuada pelo tom cômico, algo que uma penca de anime shonen também faz (eles apenas não são tão longos, então os erros ficam mais fáceis de ser lembrados).